M for Magazines | Manifesto










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M for Magazines. Por norma quando surge esta expressão dou-vos a conhecer uma nova revista. Mas desta vez será diferente! Porque em vez de falarmos de uma revista, vamos falar de um dos meus espaços favoritos que, por acaso (só por acaso), vende revistas também! Como vocês já sabem (ou deviam saber) eu vivo atualmente no Porto, Portugal. O Porto está a crescer a um ritmo incansável, e com isso surgiram muitos novos espaços que merecem ser conhecidos! Consequentemente, pensei que seria interessante dar alguma variedade a esta rubrica: fazer reviews de revistas que leio e gosto, mas também dar a conhecer espaços onde podem encontrar revistas e publicações de interesse (e as quais eu visito regularmente e nas quais sou consumidora).

Para começar esta viagem pelos "shop takeovers", hoje falamos do Manifesto. Sempre que vou ao Manifesto, sou atendida pela Inês! Numas dessas visitas, descobrimos que tínhamos algo em comum: gostamos muito da Romance Journal (vejam o artigo sobre esta revista aqui). Semanas atrás para minha surpresa, a Inês entrevistou-me para o blog da Manifesto (vejam o artigo aqui), mas mal ela sabia que já andava eu a pensar falar com ela para este artigo também! Coincidências à parte, falei com ela de questões que a mim que intrigam: qual vai ser o futuro deste boom de publicações e revistas e como nós, consumidores, estamos a reagir a ele? Ficaram curiosos? Era esse o objetivo!

1 _ Porquê o nome Manifesto?
Quando pensámos no nome para o Manifesto houve várias opções que ponderámos, mas a escolha baseou-se sobretudo no facto das publicações, da galeria e até mesmo do café terem um manifesto por trás. Ao juntarmos estas três vertentes num mesmo espaço ficou claro que o nome teria de ser Manifesto.

2 _ No teu ponto de vista, sentes que este espaço bem no coração de Matosinhos trouxe consigo uma nova dinâmica à sua volta? De que forma?
O Mercado de Matosinhos é um sítio maravilhoso para trabalhar e passear. Todos os dias observo no mesmo espaço peixeiras e designers, galinhas vivas e revistas da Monocle. Sinto que o Manifesto ajudou a criar esta dinâmica mas que o equilíbrio que existe entre tradição e modernidade é fundamental para alcançar este ambiente rico e variado. O restaurante Mafalda’s usa a fruta das vendedoras do mercado para fazer sumos, o Pedro da Wonderbly ajudou-nos a pintar a montra para a inauguração do livro “Para Poder Voltar” do Mateus Brandão, e eu uso cadernos da Mishmash para tudo o que preciso. Este espírito de comunidade é o que faz valer a pena estar em Matosinhos.

3 _ Desde uns anos para cá, eu senti uma diferença relativamente à procura de revistas, livros, publicações… Sentes que efetivamente existe um maior interesse e procura? Mas como um objecto de leitura, um objecto de culto ou um objeto bonito e que se quer ter em casa?
Acho que durante algum tempo deixámo-nos fascinar pela novidade do mundo online e pela facilidade de podermos ler quase tudo o que quiséssemos à distância de um clique. Mas, quando a surpresa começou a passar, a maioria das pessoas voltou a sentir falta do toque do papel e da sensação de ter algo palpável que pudesse ler, guardar e preservar. Num mundo onde a informação é cada vez mais efémera, há algo de especial em escolher uma revista que podemos ler durante horas sem um ecrã por perto. O facto de haver cada vez mais revistas de qualidade, quer a nível dos conteúdos, quer do design, também nos fez apreciar mais este tipo de publicações como um objeto de prestigio.

3.1 _ Achas que a noção de slow living e de desconectar de tudo é uma dos motivos para essa procura?
Eu acho que a noção de tempo mudou. Antes a informação era mais lenta e isso fazia com que os dias parecessem passar mais devagar. Com a internet ficou tudo mais rápido e acessível. Isso foi bom, mas deixou-nos sem aquele entusiasmo que sentimos quando passamos muito tempo à espera que algo aconteça. Com as publicações impressas esse sentimento voltou. A maior parte das revistas independentes que temos no Manifesto são semestrais, obrigando-nos não só a apreciar a leitura com calma mas também a aprender (novamente) a saber esperar. Quando a revista finalmente chega, é quase impossível não querer estimá-la e apreciar o seu processo de criação.

4 _ Todas as semanas descubro novos nomes e novas revistas à venda em várias lojas à volta do mundo. Achas que existem mais pessoas interessadas em criar a sua própria publicação e dá-la a conhecer ao mundo? Ou até tornar disso o seu negócio?
Sim, acho. É incrível como depois de anos a ouvirmos sentenças de morte ao papel ele conseguiu sobreviver e prosperar. A internet foi um dos maiores catalisadores desta tendência porque sempre existiram zines e revistas de nicho, a diferença é que antes não saiam da comunidade em que eram criadas, agora, graças às redes sociais, uma revista independente pode ter uma tiragem de 3000 exemplares e chegar a países de todo o mundo. O Kai, editor da Offscreen, faz a revista praticamente sozinho e tem uma distribuição mundial, algo impensável há uma década atrás.

4.1 _ Será que esta onda de novas revistas está ainda para crescer mais ou achas que está neste momento estagnada e prestes a perder interesse? Será que é só uma moda?
Mais do que modas, a diferença está nas pessoas e no empenho que têm em relação ao seu projeto. O conteúdo escrito, o design, a inovação e a diferença são fundamentais para o sucesso de uma publicação. A Happy Reader, por exemplo, tem um conceito muito simples, mas muito bem feito. Tal como a MacGuffin, que ganhou ainda agora o Stack Award para melhor editor do ano e melhor direção criativa com uma revista de 220 páginas só sobre cordas. Acho que se pode dizer que estamos a viver uma nova época de ouro das publicações impressas.

4.2 _ Também gostava muito que falasses um pouco sobre a Nevoazul, porque sei que é um projecto pessoal e pelo qual tens muito carinho. Para quem não conhece, como resumes a Nevoazul?
A Nevoazul é uma revista fundada e editada por mim sobre as acções que dão sentido ao mundo. A próxima edição irá sair em Maio e vai representar uma mudança de rumo no design e conceito da publicação. Enquanto a primeira e a segunda revista falavam sobre as temáticas da sustentabilidade, minimalismo e consumismo sob uma perspectiva mais teórica e cultural, as próximas edições estarão associadas a verbos que nos convidam a agir e a tornar o mundo num lugar melhor.

5 _ Esta loja não é uma loja normal: é também um espaço de exposição, coffee shop e ainda espaço de trabalho/lazer. Sentes que as pessoas vêm aqui para explorarem toda essa experiência ou ainda existe uma grande margem que prefere comprar online?
Acredito que muitos dos nossos visitantes vêem o Manifesto como um lugar para estar e não apenas para comprar. Ver revistas, beber um café proveniente da Etiópia e visitar a exposição são momentos que tornam uma manhã ou tarde no Manifesto mais do que um momento associado ao consumo. Quase todos os sábados temos eventos como as Conversas Manifesto, palestras, exibição de filmes ou inaugurações que juntam uma comunidade criativa e curiosa que aprecia mais experiências do que bens. A nossa loja online é uma forma de fazer chegar a nossa seleção de revistas a pessoas que não tenham oportunidade de visitar o nosso espaço. O nosso desejo em alargar a comunidade Manifesto também nos levou a criar a Assinatura Manifesto, um serviço de subscrição de revistas em que todos os meses recebes uma revista diferente em tua casa escolhida pela nossa equipa de curadores. Desta forma estamos a incentivar a curiosidade e a dar a conhecer publicações de nicho que se destacam pelo design, qualidade da escrita ou originalidade do tema.

6 _ Uma das coisas que gosto na Manifesto é que sinto que é um espaço aberto a todos, não só a nível de experiência no espaço, mas também mesmo a novas ideias, como por exemplo a colaboração com a Mishmash e o apoio a novos designers/produtos. Existem novas colaborações para breve?
Vamos ter várias colaborações brevemente, tal como tivemos o Traveler’s Notebook com a Mishmash ou o Tote Manifesto com a Raquel Rei e a Ana Ferreira. Associarmo-nos a criativos com valores similares aos nossos sempre foi um dos propósitos do Manifesto.

7 _ Neste momento, o que andas a ler ou qual é a tua publicação favorita?
A revista que tem andado comigo a semana inteira é a The Travel Almanac, com a Greta Gerwig na capa. Tenho de admitir que nunca tinha sentido um interesse especial por esta publicação até ler a entrevista à actriz do filme Francis Ha. Ainda estou só a meio da revista, mas estou a gostar das suas entrevistas em profundidade e da narrativa despretensiosa e agradável. Também estou a ler o livro Human do Yann Arthus-bertrand, baseado no documentário com o mesmo nome. Este livro explora a condição humana através de relatos, reportagens e infografias. A seguir vou ler a Harvard Design Magazine e o livro How to Make a Nation da Monocle. As minhas publicações preferidas de sempre são a Weapons of Reason, a Vestoj, a Happy Reader e a Scenario.

8 _ Para terminar, qual é a revista/publicação mais recente na loja?
As publicações mais recentes no Manifesto são a Migrant Journal número 3, dedicada aos céus e aos oceanos, e a King’s Review, uma publicação que alia a investigação académica ao jornalismo. Mas, como recebemos revistas novas todos os dias, amanhã a resposta já será diferente.

Comments

  1. Que espaço agradável!

    https://strawberryafternoons.blogspot.pt/

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  2. Entendo :D

    My God!! Que conceito incrível :o

    NEW OUTFIT POST | DECEMBER, ARE YOU ALREADY HERE?! :o
    InstagramFacebook Official PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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    1. É sim! :) eu sei que agora não falta sítios com revistas, mas este ainda é um dos meus favoritos! :)

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  3. This comment has been removed by a blog administrator.

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  4. Ainda não fui lá, mas estou mesmo curiosa. Parece ser mesmo um espaço agradável com um conceito completamente inovador e fantástico
    beijinhos
    Sara Meireles
    https://blogsarameireles.blogspot.pt/

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    1. Vale a pena fazer a viagem até Matosinhos :)

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  5. wow! parece um sitio mesmo fixe! omg! adorava passar uma tarde aí a ler :D

    TheNotSoGirlyGirl // Instagram // Facebook

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    1. Vale a pena lá ir! :) E tem as melhoras revistas! :D

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  6. wow muy interesante!!

    Check out my latest blogpost to get some inspo:
    "Christmas Giftguide 2017" https://evaredson.blogspot.it/2017/11/christmas-gift-guide-2017-10-best.html

    xx Eva

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  7. a loja parece ser muito muito gira e o conceito por detrás dela também, deve ser tão refreshing entrar lá
    beijinhos

    http://umacolherdearroz.blogspot.pt/

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    1. Eu gosto muito do espaço! E o melhor de tudo, é que era um espaço sem função há alguns anos! Gosto quando tentam reabilitar a cidade da forma correcta! :)

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  8. Que espaço lindo :D

    Novo post: https://abpmartinsdreamwithme.blogspot.pt/2017/12/dreamxmas2017-gift-guide-for-her.html

    Beijinhos ♥

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  9. Opah adorei, que espaço lindo! E gostei muito da entrevista :D

    http://purflefox.blogspot.pt

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    1. É mesmo! Tem imensa luz! :D Obrigada! Acho que vou tentar fazer mais algumas entrevistas! :D

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  10. Precisava de um espaço assim cá na minha zona, são raros os sitios onde sinto confortável para trabalhar! Adorei a entrevista :D

    Beijinhos,
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    1. Este local é mesmo calmo! Mas deviam haver mais sítios assim sem dúvida! :)
      Obrigada!*

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  11. Great post. I always love discovering new travel magazines that I find in Japan. The photos are so inspiring and makes me want to travel more.

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    1. Oh I wish I could go to Japan! I would lost my mind😊 you should come to Porto, it's really beautiful!

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  12. Looks like good reads too. I love magazines. Definitely great travelling companions. Ha!!

    http://www.missymayification.co.uk

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